Sexta-feira, Maio 22, 2009

Aham.
Eu ando estressada mesmo e reclamando de tudo.
Eu SEI que estou sendo insuportável. Se eu não melhorar, me xingue, ok?
Beijo e azulejo,
de preferência Athos Bulcão.

Rabiscado por às 5:32 PM




Domingo, Maio 17, 2009

- Você não vem cantar os parabéns?
Ouço um "não" seco e emburrado, seguido de um pedido para fechar a porta do quarto.
No meio de um clima tenso, as pessoas entoam aquela música que, em tese, deveria ser animada.
Eu apago as velas com um desejo que não se realizou naquele dia, e nem se realizaria pelos próximos cinco anos.
Tudo bem, é só minha festa de aniversário que você está estragando...

Eu sempre digo que gostaria de escrever um post feliz outra vez, e não é mentira.
Mas sinto que se eu disser "escreverei um post feliz", aí sim, podem apontar o dedo para mim e me xingar à vontade.
Também não é dessa vez. Mas não importa. Ninguém lê.

Momentos felizes. Tento me recordar.
Meu último aniversário... não.
O último dia das mães... não.
Minhas últimas férias... raros.
Meu útimo natal... não.
Meu último dia das crianças... não.
A comemoração da minha passagem na UnB... não.
Alguém sempre estraga tudo.
Depois de tantas decepções, eu já nem me animo mais para dia nenhum.

Foi perto de uma Páscoa de muitos anos atrás, que aconteceu pela primeira vez.
Eu chorei muito, muito mesmo. Acho que já contei isso, que meti a cara na toalha para abafar os soluços. Cá entre nós, eu nunca imaginaria que podia soluçar tão alto com uma voz tão baixa.
Foi nesse dia que eu tive muita raiva das pessoas. Não, não de todas. Dos amigos.
Eles prometem que estarão ao seu lado quando você precisar. Meus olhos vermelhos e inchados procuraram ao redor e não viram ninguém.
E todas as vezes seguintes seriam assim também.
Ninguém.
Foi uma sensação tola, mas me senti traída.
As mãos que vieram ao meu consolo aquela manhã estavam cheias de hipocrisia.
"Vá pedir desculpa".
"Não peça, comigo também foi assim".
Nenhuma realmente entendia o meu lado, o que eu quis expressar.
Ninguém se importou se fui chamada de "inútil" aos berros no meio de tanta gente.
E daí? Deve ser porque sou inútil mesmo.

Ou porque ninguém se importa.
Eu realmente considero a amizade o relacionamento mais valioso de todos, mas acho que poucos acham isso.
Voltando mais anos atrás, eu achei que me sentiria bem ao desabafar um problema.
Sempre o mesmo comentário, "que legal", e risos.
Eu forçava uma risada também e mudava de assunto.
Aquele problema acabaria com minha família pouco tempo depois.

Tem tanta coisa acontecendo...

Teve uma vez que minha maior meta era ser uma pessoa forte. Que não chorasse.
Para isso, eu tentava nunca chorar na frente de ninguém, e só contava os problemas que eu já havia superado.
Hoje minha única meta é morrer de uma maneira não-ridícula. Já basta.

Não consigo, sou fraca. Fraca, fraca, fraca.
Eu quero um ombro de alguém só para deitar a cabeça.
Quero passar um único dia longe de tudo.

Eu é que sou idiota.

Vou continuar sorrindo por aí e respondendo "Tudo ótimo" para quem quiser perguntar.
E rir excessivamente de uma piada que ninguém entendeu, nem eu, só para esquecer.
E prosseguir carregando os dias nas costas, não os vivendo, simplesmente carregando.
Ou escorregando sobre eles.

Eu quero falar muita coisa. Para muitas pessoas.
Mas eu vou chorar. E todo o argumento vai perder impacto.

Eu sempre estrago tudo.

Eu me sinto sozinha.

Rabiscado por às 8:20 PM